segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Nêga Marrenta

Tô saindo com uma nêga, ela é marrenta e brava.
Mora no alto do morro e o barraco dorme sem trava.
Se ela quer ir pro samba, ela mesmo se enfeita.
E vai subindo a ladeira, requebrando: o comentário é geral.
Sabe que essa nêga valente andava na minha cola?
Chamava, queria, ligava e eu nem dava bola.
Hoje ela não entra em fila e nem dá mole à toa.
Mudou de vida, se deu bem no trabalho, a nêga é sensacional!
Ô nêga! Anda mexendo com meu coração.
Quando ela chega, já vai mudando a situação.
Ela me esquenta, ela é marrenta...
E depois do trampo, a nêga não se rende ao cansaço.
Se tem sinistro lá na esquina, ela modera o passo.
Para descolar uma grana, não agulha ninguém.
É livre, inteligente e o seu salário é mil e cem.
Ô nêga! Vai me emprestando um pra eu me virar.
Ô nêga! O bicho pega, vamos se juntar.
E ela nega, ela é marrenta...

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