sexta-feira, 31 de outubro de 2008

a.nô.ni.mo

adj (gr anónymos)
Sem nome, ou que o não declara.
Sem denominação.
sm
Indivíduo que não assina o que escreve.
Indivíduo obscuro, sem renome.

É estranho quando conhecer se torna decepção na mesma grandeza da alegria de outrora. Quando descobrir machuca o peito por não fazer mais parte. Quando as palavras perdem o encanto. Quando a imagem é retrato vivo, mas retrato. Daqueles normais, estáticos. E, de repente, não há mais história, se é que um dia teve. Até a inexistência deixa de existir. E sem história, sem começo, sem meio, sem fim. Só silêncio.

Então eu fico pensando: por que que eu fui pagar pra ver?

5 comentários:

Joice Nunes disse...

pagamos porque somos ávidas por descortinar véus - de coisas e pessoas.
às vezes a gente paga juros altos por tal afronta e ousadia,mas isso não chega a ser um problema.
é,antes, uma solução.
beijos
adorei seu texto!!!!

Anônimo disse...

Intacto
(Jair Oliveira)

Não faço pra te aborrecer
Nem eu me entendo direito
Meu jeito não dá pra prever
Às vezes dá defeito

Não tô triste nem tô "deprê"
Apenas estou sossegado
Não há o que esclarecer
Não há nada errado

Às vezes o silêncio tapa os buracos
E o amor prossegue intacto

Já sei o que vai me dizer
"Você é muito enigmático"
Tem toda razão, pode crer
Não sou nada prático

Mas deite aqui perto de mim
Vamos acalmar num abraço
Gostar geralmente é assim
Nunca é sempre fácil

Às vezes o silêncio tapa os buracos
E o amor prossegue intacto

(CD Pedro Mariano - "Pedro Mariano", 2007)

Anônimo disse...

Para Joice Nunes

Após receber mais um bilhete anônimo, em plena era do ID suprimido, Celeste perturbou-se em seu espírito: angustiada com a possibilidade
de Alfredo ser o autor de tão ardilosas palavras, viu-se em um dilema profundamente existencial que a dividia entre a irresistível vontade
de desprezar-lhe - como era de seu feitio -, e a incontrolável ânsia de mostrar-lhe o quanto se tornara tão irremediavelmente inexistente, ainda que,
no fundo, ela não ousasse confessar a si própria que jamais se preocupou de fato com seus sentimentos e tribulações, mas apenas com sua auto-imagem
e com seus sentimentos mais veladamente egoístas. Pobre Alfredo! Julgado sem direito à defesa, viu-se incluído no rol dos desgraçados e indignos,
eternamente condenado ao rótulo imposto por quem deveria tê-lo amado, tão-somente o amado.

Meiga Senhorita disse...

Pobre Alfredo! Celeste é mesmo uma mulher muito cruel. Tsc, tsc, tsc...

Joice Nunes disse...

vcs ficam falando mal minha celeste...
:(
pobrezinha
olhem o blog...
beijos