sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

As máscaras

Meu amor se compõe do amor de todos dois
Hesitante entre vós, o coração balanço:
O teu beijo é tão doce, Arlequim...
O teu sonho é tão manso, Pierrô...
Pudesse eu repartir-me e encontrar minha calma dando a Arlequim meu corpo... e a Pierrô, minha alma!
Quando tenho Arlequim, quero Pierrô tristonho,
Pois um dá-me prazer, o outro dá-me o sonho!
Nessa duplicidade o amor todo se encerra:
Um me fala do céu... outro fala da terra!
Eu amo, porque amar é variar e , em verdade toda razão do amor está na variedade...
Penso que morreria o desejo da gente
Se Arlequim e Pierrô fossem um ser somente,
Porque a história do amor só pode se escrever assim:

Um sonho de Pierrô
E um beijo de Arlequim!


[Engraçado como velhas imagens fazem sentido para nós, ainda hoje, não é? Não é à toa que estas figuras vêm dançando carnavais há tantos séculos...]

2 comentários:

Ju Guedes disse...

É.. e como é.

gloria disse...

essa divisão que acaba sendo uma no lugar dos nossos desejos. um e outro somos nós nè? Bom ver vc. de volta. bjs