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Homenagem ao passado...
Hoje é de nostalgia e de paixões do passado que me apetece falar. Sou levada a crer que as grandes paixões das nossas vidas não são amores que ficam. Que permanecem, que crescem. Elas aparecem para nos mudar, para nos fazer perder o norte e ganhar rumo, outros rumos. Depois do adeus - que é um adeus contrariado, afogado em lágrimas - descobri uma certa paz e uma segurança que não sabia que existia. A verdade é que consegui aceitar. Aceitar a perda, a partida, o fim do sonho, da vida que vivi por antecipação ao lado do "meu amor". Sim, "meu amor" - só entre aspas mas nunca ex-amor. Este amor nunca será ex. Isso implicaria que ele já tivesse passado, que fosse substituível e perecível. O grande amor nunca desaparece. É sempre ele, para sempre, nunca volátil. Só nos despedimos do sonho, nunca do homem, nunca do amor. A grande diferença é que quando se aceita o final de um sonho - quando não há alternativas e divergimos do caminho que o destino apontou - aprendemos a amar sem apego, sem a exigência de troca. É ternura quase em desperdício, sempre a recordar a vertigem de um amor intenso, vivido, mas que a vida nos obrigou a desleixar. O amor maior (e geralmente primeiro), aquele que nos muda e faz crescer, é o que nos dá legitimidade para termos o nosso pequeno segredo. Podemos amar outras pessoas, sermos mais felizes do que alguma vez pensamos ser depois de ter dito adeus... Mas temos sempre a permissão dos deuses do amor para consultar, às escondidas de nós próprios e da vida que escolhemos, aquele pedaço de memórias e de vida que ficou por acontecer... ou que foi apenas o que tinha de ser. O grande amor é inevitavelmente revivido, de preferência sem consequências, sem mágoas nem traições. Só com uma lágrima pequenina que às vezes escorrega para o canto da boca que, agora, já consegue esboçar um sorriso.
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