terça-feira, 16 de outubro de 2007

O meu destino será como Deus quiser...

Concluída a primeira etapa dessa viagem. Dias maravilhosos com pessoas maravilhosas na cidade maravilhosa. Velhos amigos, novos caminhos tortos. Novas aventuras, muitas risadas gostosas. Valeu a pena! O que me espera daqui pra frente, não sei. Mas agora é hora de partir. Como disse Alberto Granada, "hay que tener en cuenta que para un viaje de ese tipo tenés que romper. O si no, no irte." Infelizmente, metade de meu espírito aventureiro não mais poderá ir. Estou triste por não estar em Fortaleza nesse momento. Mas meu coração está aí com você, amiga. Lembre-se que só a fé nos ajudará a manter viva a chama da esperança quando tudo parece escuro em nossa vida. Queria muito conseguir colocar nessas linhas as palavras mais fortes e lindas que pudessem, aqui de longe, ser um pouco de conforto nessa hora tão difícil. Sei que sempre devemos estar preparados para a morte, mas quando ela se apresenta, o assunto é diferente, as palavras não conseguem expressar o que se passa no coração, as imagens ficam nubladas e as lágrimas se apossam do rosto. Goethe, em situação como essa, saberia dizer o indizível para consolar todos os que o amaram: “… e Deus, ao contar os anjos, viu que faltava um… e o chamou.” Disse também que “a vida é a infância da imortalidade“. Lembrei, como que de um estalo, o poema de W.H.Auden – Funeral Blues. O poeta fala a propósito de um amigo muito amado e brevemente desaparecido.

“Parem todos os relógios. Desconectem o telefone. Impeçam o cão de latir com um suculento osso! Calem os pianos, e, ao som de tambores rufando, tragam o caixão. Que venha o cortejo. Deixem os aviões voarem no céu, escrevendo a mensagem “Ele está morto”. Ponham laços de crepom no pescoço das pombas. Que os guardas de trânsito usem luvas pretas de algodão. Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste, a minha semana de trabalho e o meu domingo, meu meio-dia, minha meia-noite, minha fala e minha canção. Achava que o amor ia durar para sempre. Eu me enganei. As estrelas não são necessárias agora. Desliguem todas. Embrulhem a lua e desmanchem o sol. Esvaziem o oceano e limpem a mata, pois nada mais vale a pena.”

Bom, é isso. Ou não é nada disso. Ou será "nem"? Mas agora estou indo. E que Deus me acompanhe.

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