quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Sou vento, ventania, sou livre. Livre para voar!

Hoje realizei um grande sonho. Fiz meu primeiro vôo de parapente. Voar é uma emoção que com certeza não podia deixar de viver. Inesquecível a sensação de sobrevoar o Rio de Janeiro, curtindo o visual de ângulos jamais imaginados. Um misto de adrenalina e muita liberdade. Apenas o primeiro de muitos vôos. Quero repetir esse momento mágico ainda muitas vezes. Voar é descobrir porque os passáros cantam, perceber a imensidão do planeta. Um reencontro com a inocência de criança que ainda habita em mim. Voar: curiosidade, medo, sonho, conquista, superação, realização. Minha fonte de coragem: vontade de viver a vida intensamente. Do momento da decolagem ao pouso, tão somente e simplesmente, vôo livre. O dia escolhido não podia ter sido melhor. Céu limpo, um sol maravilhoso e o horizonte... Ele estava logo ali. Decolei da Pedra Bonita e pousei na Praia do Pepino em São Conrado. Após algumas explicações na rampa sobre os procedimentos de decolagem, uma rápida corrida para inflar o parapente e, a partir disto, o vôo planado.




Como disse Leonardo Da Vinci, em sua busca por ganhar os ares, "quando você tiver provado a sensação de voar, andará na terra com os olhos voltados para o céu, onde esteve e para onde desejará voltar."

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Agora o que vamos fazer? Eu também não sei. Afinal... Estou aprendendo também.

Quando criei esse blog, a idéia é que ele falasse sobre os dias bons, os dias ruins e todos os outros. Mas tenho percebido que escrever sobre a tristeza vai tão fundo na alma que se tornou recurso recorrente das palavras fáceis. Minha inspiração é quase sempre aquela que leva a um verso triste. Por isso tem sido tão difícil escrever ultimamente. Meu espírito está livre, meu coração radiante... Minha vontade tem sido meu guia, meus sonhos minha bússula, os amigos meu ancoradouro. Algumas pessoas passam a vida toda correndo insanamente atrás da felicidade, enquanto outros a criam. Nos últimos dias, a felicidade está em mim. Minha natureza é assim: sorrir, caminhar, sonhar, viver... Tem sido assim cada dia mais. Mas meu silêncio é um silêncio que fala. Quantas coisas têm sido ditas na quietude. Sei que os ouvidos especiais me entendem e voam comigo. Quantas palavras bate o coração? Há palavras no coração. Também letras e sons. Nem sempre silêncio é falta. Se observamos a natureza a nossa volta, muita coisa está em silêncio profundo e imutável. Mas fala! Fala do amor, fala da vida... O silêncio é musica no momento certo.

Tantra Totem

Recebi um texto bem legal de uma amiga hoje. É do Dalai Lama. Na verdade ela me mandou naqueles mails-corrente que você deve enviar para não sei quantas pessoas pra que seu desejo se realize. Não gosto de correntes e nunca repasso. Mas esse texto achei muito interessante e resolvi compartilhar. Alguns pontos achei a minha cara. Coisas que já adotava como lema mesmo sem conhecer o tantra. Outros vou tentar seguir daqui pra frente. Mas a dos palavrões está fo... ops! difícil.

Dê mais às pessoas do que elas esperam e o faça com alegria.
Decore o seu poema favorito.
Não acredite em tudo que você ouve, gaste tudo que você tem e durma tanto quanto você queira.
Quando disser “eu te amo”, seja verdadeiro.
Quando disser “sinto muito”, olhe para a pessoa nos olhos.
Fique noivo pelo menos seis meses antes de casar.
Acredite em amor a primeira vista.
Nunca ria dos sonhos de outras pessoas.
Ame profundamente e com paixão. Você pode se machucar, mas é a única forma de viver a vida completamente.
Em desentendimentos, brigue de forma justa.
Não use palavrões.
Não julgue pessoas pelos seus parentes.
Fale devagar, mas pense com rapidez.
Quando alguém perguntar algo que você não quer responder, sorria e pergunte: “Porque você quer saber?”
Lembre-se de que grandes amores e grandes conquistas envolvem riscos.
Ligue para sua mãe.
Diga “saúde” quando alguém espirrar.
Quando você se der conta que cometeu um erro, tome as atitudes necessárias.
Quando você perder, não perca a lição.
Lembre-se dos três Rs: respeito a si próprio, respeito pelo próximo, responsabilidade pelas suas ações.
Não deixe uma pequena disputa ferir uma grande amizade.
Sorria ao atender ao telefone. A pessoa que estiver ligando ouvirá isso em sua voz.
Case com alguém que você gosta de conversar. Ao envelhecerem, suas aptidões de conversação serão tão importantes quanto qualquer outra.
Passe mais tempo sozinho.
Abra seus braços para mudanças, mas não abra mão de seus valores.
Lembre-se de que o silêncio é, às vezes, a melhor resposta.
Leia mais livros e assista menos TV.
Viva uma vida boa e honrada. Assim, quando você ficar mais velho e olhar pra trás poderá aproveitá-la mais uma vez.
Confie em Deus, mas tranque seu carro.
Uma atmosfera de amor em sua casa é muito importante.
Faça tudo o que puder para criar um lar tranqüilo e com muita harmonia.
Em desentendimentos com entes queridos, enfoque a situação atual. Não fale do passado.
Leia o que está nas entrelinhas.
Reparta o seu conhecimento. É uma forma de alcançar a imortalidade.
Seja gentil com o planeta.
Reze. Há um poder imensurável nisso.
Nunca interrompa quando estiver sendo elogiado.
Cuide da sua própria vida.
Não confie em ninguém que não feche os olhos quando beija.
Uma vez por ano, vá a algum lugar que nunca esteve antes.
Se você ganhar muito dinheiro, coloque-o a serviço de ajudar os outros enquanto você for vivo. Esta é a melhor satisfação da riqueza.
Lembre-se de que não conseguir algo que você deseja, às vezes, é um golpe de sorte.
Aprenda as regras e quebre algumas.
Lembre-se de que o melhor relacionamento é aquele onde o amor de um pelo outro é maior do que a necessidade de um pelo outro.
Julgue seu sucesso pelas coisas que você teve que renunciar para consegui-lo.
Lembre-se de que seu caráter é seu destino.
Usufrua o amor e a culinária com abandono total.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Sorte de hoje no Orkut

Você é muito expressivo e otimista nas palavras, nas atitudes e nos sentimentos.

Bom, pelo menos estou tentando. Afinal, descobri que sou eu o compositor da música da minha vida, o escultor da obra que enfeitará ou empobrecerá o meu destino. Eu sou o escritor dessa peça, que as vezes é puro drama, e por vezes, comédia que me faz rir sem querer.
Se eu soubesse que chorando
Empato a tua viagem
Meus olhos eram dois rios
Que não te davam passagem

(Marchinha "Acorda, Maria Bonita" de Antônio dos Santos)

Destino?

O meu é logo ali, entre a ilha Felicidade e o território da Vitória. Vou passando com meu barco chamado Perseverança, cruzando o Cabo do Amor, rasgando as dificuldades do vento contrário. Afinal de contas, hoje sou eu quem dirige o leme, quem decide a rota. E decidi apontar para o infinito...

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Quando a chuva passar, quando o tempo abrir... abra a janela e veja: eu sou o sol!

Sem muita inspiração para escrever nesta quarta-feira de muita chuva na cidade maravilhosa. Com esse temporal, nem tão maravilhosa assim. No noticiário local, muitas imagens de congestionamento e deslizamento de terra no túnel Rebouças. Muitos amigos do Rio on-line no MSN. Não foram trabalhar por causa da chuva. Eu, com uma preguiça enorme. Vontade de ficar o dia inteiro deitada, assistindo filme, organizando as fotos da viagem, navegando na internet. Desfazer as malas? Nem pensar! Bom, mas quando será que o sol vai voltar? Saudade de um mar de águas menos geladas que as do Pacífico. E preciso de céu claro e tempo bom pra saltar de parapente. Com a ida a São Januário para assistir jogo do Vasco cancelada pelo mal tempo, deixo um poema bonitinho que encontrei no blog Fala Poética de Nel Meirelles:

sebastião

a chuva
crava flechas
no peito
do meu padroeiro
(tião
do rio de janeiro)

domingo, 21 de outubro de 2007

Pido silencio

Amigos, eso es cuanto quiero.
Es casi nada y casi todo.
Sucede que soy y que sigo.

Que perdoe-me Pablo Neruda (1904-1973) pela adaptação.

Fernando Pessoa

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente

sábado, 20 de outubro de 2007

Dicen que todas las respuestas están en el cielo

Muito tempo que não escrevia aqui. Muita coisa mudou desde a última vez. Aquela nuvem de pessimismo e desânimo desapareceu logo no segundo dia em Santiago. Fiz muitos passeios legais, conheci muita gente interessante. A cidade é linda, encantadora. É impressionante a imponência da Cordilheira do Andes acompanhando toda a cidade. Mais fantástico ainda foi ir hoje lá em cima. Aquelas montanhas, os vales, o rio... Ah, a neve. Que maravilha! A Cordilheira é indescritível. Ali nos damos conta de como somos pequenos frente a tamanha exuberância da natureza. Ficamos minúsculos diante das montanhas. Isto nos faz pensar muito na vida, na família, nos amigos. Fiz outros passeios também maravilhosos, lugares lindos como Viña del Mar, Val Paraíso, os vinhedos. Mas o Valle Nevado ficará marcado desde o caminho para se chegar lá. Uma subida maravilhosa, como nunca vi igual.



Ese vagar sin rumbo por nuestra mayúscula América me ha cambiado más de lo que creí. Yo ya no soy yo. Por lo menos no soy el mismo yo interior. (Ernesto Guevara de la Serna - 1952)

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Um destino incerto que apavora

Ficar ou "nem"? Dúvidas, muitas dúvidas. Estou me descobrindo não tão segura e determinada como imaginei. Conhecer é a palavra-chave dessa questão. Aqui ou lá, a verdade é que não estou confortável com os novos sentimentos que se mostram neste momento. O novo traz em si as mil possibilidades de se rasgar o script esperado e de poder ser diferente. Estou procurando acreditar que mesmo acompanhada do medo, a vida (longe dos roteiros pré-estabelecidos) admite atalhos e percursos diversificados de belezas ainda ignoradas. Mas como é difícil...

terça-feira, 16 de outubro de 2007

O meu destino será como Deus quiser...

Concluída a primeira etapa dessa viagem. Dias maravilhosos com pessoas maravilhosas na cidade maravilhosa. Velhos amigos, novos caminhos tortos. Novas aventuras, muitas risadas gostosas. Valeu a pena! O que me espera daqui pra frente, não sei. Mas agora é hora de partir. Como disse Alberto Granada, "hay que tener en cuenta que para un viaje de ese tipo tenés que romper. O si no, no irte." Infelizmente, metade de meu espírito aventureiro não mais poderá ir. Estou triste por não estar em Fortaleza nesse momento. Mas meu coração está aí com você, amiga. Lembre-se que só a fé nos ajudará a manter viva a chama da esperança quando tudo parece escuro em nossa vida. Queria muito conseguir colocar nessas linhas as palavras mais fortes e lindas que pudessem, aqui de longe, ser um pouco de conforto nessa hora tão difícil. Sei que sempre devemos estar preparados para a morte, mas quando ela se apresenta, o assunto é diferente, as palavras não conseguem expressar o que se passa no coração, as imagens ficam nubladas e as lágrimas se apossam do rosto. Goethe, em situação como essa, saberia dizer o indizível para consolar todos os que o amaram: “… e Deus, ao contar os anjos, viu que faltava um… e o chamou.” Disse também que “a vida é a infância da imortalidade“. Lembrei, como que de um estalo, o poema de W.H.Auden – Funeral Blues. O poeta fala a propósito de um amigo muito amado e brevemente desaparecido.

“Parem todos os relógios. Desconectem o telefone. Impeçam o cão de latir com um suculento osso! Calem os pianos, e, ao som de tambores rufando, tragam o caixão. Que venha o cortejo. Deixem os aviões voarem no céu, escrevendo a mensagem “Ele está morto”. Ponham laços de crepom no pescoço das pombas. Que os guardas de trânsito usem luvas pretas de algodão. Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste, a minha semana de trabalho e o meu domingo, meu meio-dia, minha meia-noite, minha fala e minha canção. Achava que o amor ia durar para sempre. Eu me enganei. As estrelas não são necessárias agora. Desliguem todas. Embrulhem a lua e desmanchem o sol. Esvaziem o oceano e limpem a mata, pois nada mais vale a pena.”

Bom, é isso. Ou não é nada disso. Ou será "nem"? Mas agora estou indo. E que Deus me acompanhe.

domingo, 14 de outubro de 2007

100 anos do frevo, é de perder o sapato. Recife mandou me chamar...

Mandou me chamar, eu vou
Pra Recife festejar
Alegria no olhar , eu vejo
É frevo, é frevo, é frevo

(Samba-enredo 2008 da Mangueira, escolhido ontem na quadra da escola, que estava absurdamente lotada)

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Espere o melhor, prepare-se para o pior e aceite o que vier

Contagem regressiva para a tão esperada mas improvisada viagem. Acabei de arrumar as malas agora. Ainda não será dessa vez que partirei apenas com uma mochila nas costas. Sou uma vergonha para a comunidade mochileira. Mas melhorei muito desde a Argentina. Agora só precisei de mais uma mala pequena. Ontem fiz muitas coisas, acertei os últimos detalhes, comprei as últimas coisas que precisava. Hoje foi só arrumação da mochila e cabeleireiro. Estou muito ansiosa. Ah, a vida me reserva tantas aventuras nos próximos dias... Antes de Santiago, uma parada no Rio, meu vício. Como não ser apaixonada por aquela cidade maravilhosa que tão bem me acolheu e da qual eu sinto que farei parte para sempre. Quem sabe um dia não vou morar lá de vez. Bom, mas nem comecei ainda essa jornada e conversando com RafaBary, eis que surge o convite para nos aventurarmos pela Austrália no final do ano que vem. Ai, ai... lógico que eu já estou me sentindo lá. Sinto que me tornei uma "aventureira". Encanta-me a idéia de partir pelo mundo em busca de conhecer lugares, pessoas e culturas diferentes, aprender línguas e entender como outros seres humanos pensam e aplicam aquilo que pensam em suas realidades. Muito bom conhecer também pessoas com o mesmo pensamento, com o mesmo gosto pela aventura. Não sei como serão meus dias por isso não estranhem a minha ausência, ou melhor, a falta dos meus posts. Prometo que quando puder darei pelo menos um "alô". De qualquer maneira, vai ser uma experiência no mínimo diferente. Independente da impressão que vou ficar dos lugares por onde vou passar, uma coisa eu sei: vai ser inesquecível, quer seja pelos bons ou maus momentos.

O Trágico Dilema

Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro.

(Mário Quintana)


quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Et quid nunc, Ioseph?

  Am                         Dm
Você ficou sem jeito e encabulada
Am
Ficou parada sem saber de nada
Am/G E7
Quando eu falei que gosto de você

Am B7 Em
Você olhou pra mim e decididamente
B7
Você falou tão delicadamente
E7
Que eu não devia gostar de você

A7 Dm
Mas a vida é essa e apesar de tudo
B7 E7
Gosto de você e que se dane o mundo
A7 Dm
Quem sabe se nessas voltas que essa vida dá
Am E7 Am
Você pode mudar de idéia e me procurar
G7
Vou esperar

C E7/B Am
Eu vou ficar aqui
Gm7 C7 F
Até madrugada voltar
G C
E trazer você pra mim

(Além de tudo - Benito di Paula)

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Balada para amores impossíveis

Conheço seus sentimentos
Sempre entendi seus motivos
E sobrevivo à distância
que te afasta, assim, de mim.
Mas sei que vivo em seus sonhos
Que moro em seus pensamentos
Povoando os seus silêncios
E as curvas do seu sorrir

E eu sei que você percebe
O porquê do descompasso
Em todas as nossas músicas
Em todos os nossos passos...
Raras noites
Poucos dias
Tanta estrada
Muita ausência
E sempre um mar de saudade
E sempre a mesma sentença:
“Agora não. Só mais tarde...”
(Frase que é vil veneno
Um tipo de porto e cais
Em que os amantes se acenam
E onde soluçam seus ais).

E esse vazio em seu peito
E as minhas tristes poesias
Se encontram de vez em quando
Numa mesma sintonia
No sonho
Na tempestade
Nas quatro fases da lua
No vento que envolve a noite
Na esquina de toda a rua...
No universo paralelo!
Na curva de cada hora
Na duração desse inverno
No entardecer e na aurora...

E o sol podia brilhar
E a estrela nunca cair
E a maldição desse agosto
Deixar, assim, de existir...

Mas esse amor sem fronteiras
Gigante continental
Ocidente e oriente
Stonehenge ancestral
Nasceu com força de chão,
calor e intensa poeira
vulcão prestes a jorrar...
Força bruta, correnteza.
Eco de desfiladeiro
Labirinto de incerteza
Alegria e Carnaval
E a cinza da quarta-feira...

E enquanto o Tempo se mostra
Senhor do nosso querer
Deus de todas as vontades
Um sonho do vir a ser
Você vai virando a página
Do livro da juventude
E eu vou compondo linhas
Desses versos, amiúde
Sina de todo poeta
Destino
Fado
Refrão...
Balada
Estrofe
Cantiga
Reza
Grito
Oração
Filosofia
Poesia
Doutrina
Religião
Fé cega
Que só obedece
Ao Deus boêmio e divino
que atende por Coração.


(Goimar Dantas)

Homenagem ao passado...

Hoje é de nostalgia e de paixões do passado que me apetece falar. Sou levada a crer que as grandes paixões das nossas vidas não são amores que ficam. Que permanecem, que crescem. Elas aparecem para nos mudar, para nos fazer perder o norte e ganhar rumo, outros rumos. Depois do adeus - que é um adeus contrariado, afogado em lágrimas - descobri uma certa paz e uma segurança que não sabia que existia. A verdade é que consegui aceitar. Aceitar a perda, a partida, o fim do sonho, da vida que vivi por antecipação ao lado do "meu amor". Sim, "meu amor" - só entre aspas mas nunca ex-amor. Este amor nunca será ex. Isso implicaria que ele já tivesse passado, que fosse substituível e perecível. O grande amor nunca desaparece. É sempre ele, para sempre, nunca volátil. Só nos despedimos do sonho, nunca do homem, nunca do amor. A grande diferença é que quando se aceita o final de um sonho - quando não há alternativas e divergimos do caminho que o destino apontou - aprendemos a amar sem apego, sem a exigência de troca. É ternura quase em desperdício, sempre a recordar a vertigem de um amor intenso, vivido, mas que a vida nos obrigou a desleixar. O amor maior (e geralmente primeiro), aquele que nos muda e faz crescer, é o que nos dá legitimidade para termos o nosso pequeno segredo. Podemos amar outras pessoas, sermos mais felizes do que alguma vez pensamos ser depois de ter dito adeus... Mas temos sempre a permissão dos deuses do amor para consultar, às escondidas de nós próprios e da vida que escolhemos, aquele pedaço de memórias e de vida que ficou por acontecer... ou que foi apenas o que tinha de ser. O grande amor é inevitavelmente revivido, de preferência sem consequências, sem mágoas nem traições. Só com uma lágrima pequenina que às vezes escorrega para o canto da boca que, agora, já consegue esboçar um sorriso.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Charles Chaplin

Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E então, pude relaxar. Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima.
Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades. Hoje sei que isso é... Autenticidade.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de... Amadurecimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo. Hoje sei que o nome disso é... Respeito.
Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama... Amor-próprio.
Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro. Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo. Hoje sei que isso é... Simplicidade.
Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes. Hoje descobri a... Humildade.
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.
Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada. Tudo isso é... Saber viver!!!

E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!

Vinícius de Moraes