Ontem fui ao shopping depois do trabalho só para consertar um óculos. Acabei ficando de bobeira por lá, comprei umas coisinhas e perdi a hora pra primeira aula. Então me deu uma vontade de fazer um programa diferente, que há tempos não fazia. Passei em casa pra pegar minha mãe e irmã e fomos jantar fora. Claro que tinha que ser um restaurante com telão pra não perder "quem matou Taís Grimaldi". O restaurante tinha música ao vivo com uma bandinha muito boa. Na mesa ao lado da nossa estava um senhor, sozinho, cuja presença só percebi quando ele se levantou para dar uma "canja" na gaita. Tocou lindamente duas músicas e voltou para sua mesa. Ao sentar, começou a limpar a gaita e eu fiquei observando. Ele me olhou também e eu fiquei um pouco sem jeito de estar olhando tanto pra ele. Então ele puxou conversa. Ele é judeu e tem 66 anos. O nome não consegui entender por causa do sotaque e da música. Fiquei com vergonha de perguntar pela quarta vez. Assim, do nada, começou a falar olhando para minha irmã como se soubesse de tudo que temos vivido. Palavras perfeitas. Muito mais que simples conselhos. Falou sobre força de vontade, superação, luta. Falou de vida. Falou de Deus. E nós não falamos nada. Não havia o que falar, apenas escutar. Nossos corações pareciam entorpecidos com aquele ser angelical. Sim, ele é um anjo de verdade. Tenho certeza.
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