Comprei esse livro ontem. Baseada em sua história pessoal, a escritora e jornalista Marina W., pseudônimo de Maria Adriana Rezende, faz um relato sobre os altos e baixos na vida dos que sofrem de transtorno bipolar.A dor inominável
Não conheço Marina. Fui apresentado apenas a seu texto leve, fluente, cativante. Porém, mais que seus dotes de escritora, o que me atraiu e me faz dar este testemunho é o tema de seu livro, o assunto que aborda de forma generosa e solidária. Por que solidária?, por que generosa?, perguntaria o companheiro leitor. Porque Maria fala de uma dor estigmatizada, de uma doença que as famílias escondiam qual lepra particular, de um sofrimento que não podia dizer seu nome. Conheci essa aflição na carne. Sei do que Marina está falando. Quando alguém tem uma gripe, uma dor de barriga, uma costela quebrada, não há dúvida: procura-se o médico, toma-se aspirina, vitamina C, purgante, busca-se o conforto dos mais próximos. Os males da alma, as afecções mentais, não - através dos tempos, foram matéria para varrer para debaixo da trama neurótica familiar. Só hoje, no alvorecer do século XXI, o preconceito, o obscurantismo e a ignorância começam a perder terreno para a luz e a tolerância. Graças a livros como este, que aborda de maneira honesta e acessível a questão do padecer psíquico, da tortura emocional. Tenho esperança - ouso dizer mesmo que acredito - que Maria Adriana vai ajudar muita gente a se libertar de suas prisões solitárias, de sua agonia inconfessa. Tem remédio. (Pedro Bial)
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